O DIÁRIO DE AZAZEL - PAGINAS 2140 A 2150
A ENERGIA BRUTA DA NATUREZA E A OPERAÇÃO
HUMANA
PARTE - I, II, III, IV e V
PARTE I
A NATUREZA E A MAGIA
Certo dia alguém me
disse – Azazel você já observou, que:
a) A
natureza separa.
b) A
natureza une.
c) A
natureza atrai.
d) A
natureza repele.
e) A
natureza protege.
f) A
natureza domina.
g) A
natureza fecunda.
h) A
natureza mata.
i) A
natureza transforma.
j) A
natureza oculta.
k) A
natureza revela.
l) A
natureza acumula.
m) A
natureza dispersa.
n) A
natureza conserva.
o) A
natureza destrói.
p) A natureza
produz vida e produz morte.
E arrematou – podemos
afirmar, por essa ótica, que a natureza faz magia, em outras palavras, nos ao
praticarmos rituais, repetimos em outro nível vibracional, a magia da natureza?
A Resposta não é tão
simples, não se limita a sim ou não, e requer que se lança
mão para responder, daquilo que é característico deste espaço, ou seja, de “mentiras
símeis aos fatos[1]”.
Não podemos afirmar que
a natureza em si pratica magia, nem podemos atribuir aos animais práticas
mágicas semelhantes às humanas. Mas, por outro lado, não podemos negar que determinadas
operações realizadas conscientemente pelo ser humano e organizadas como práticas
mágicas, feitiçarias, rituais ou comportamentos intencionais,
possuem correspondências estruturais em processos que já acontecem
espontaneamente no mundo natural.
A natureza não
precisa praticar magia ou ritual para produzir separação, união, atração,
repulsão, domínio, proteção, reprodução, morte, apropriação, ocultamento,
engano, transformação e dispersão. Essas operações existem como
acontecimentos da própria natureza e nela o predador captura, animais disputam
territórios, outros protegem sua descendência. Organismos se atraem e se
repelem, espécies utilizam camuflagem, alguns podem apropriar-se de recursos
produzidos ou acumulados por outros. Parceiros podem ser eliminados após a
reprodução, ou viverem unicamente com único parceiro, organismos transformam
sua aparência para sobreviver, outros roubam ou sequestram filhotes e ovos[2].
E nada disso é classificado moralmente pela própria natureza como bom ou ruim, na
natureza não há sensor e nem julgador, apenas a natureza seguindo seu curso de
vida, morte e renascimento[3].
Assim, para facilitar
a compreensão, e, de como esses processos são elaborados na natureza utilizamos,
daqui em diante, a expressão “força bruta da natureza”, como uma hipótese, para denomina-los.
E por “força
bruta da natureza”, não estamos afirmando que seja ou signifique, necessariamente,
uma energia física mensurável. E sim, estamos nos referindo, como hipótese, ao
conjunto de forças, impulsos, relações e operações que se manifestam
espontaneamente no mundo vivo antes de receberem a elaboração simbólica,
cultural e moral humana.
Essas operações não
pertencem originalmente ao vocabulário moral humano. Elas simplesmente
acontecem. O homem posteriormente as nomeia, interpreta, organiza e julga. Podemos
então, apartir desta nomenclatura, observarmos alguns desses processos de “força
bruta da natureza”.
1. Ruptura, domínio e continuidade.
O leão oferece um
exemplo de ruptura, domínio, eliminação e continuidade de linhagem. Em
determinadas circunstâncias, a disputa entre machos em quase sua totalidade
resulta na substituição de um dominante e na morte de filhotes do derrotado. A
alteração da estrutura social pode modificar as condições reprodutivas do
grupo.
O fenômeno não
constitui magia e não implica intenção simbólica. Entretanto, sua estrutura
contém operações que também existem na experiência humana: afastar, eliminar,
romper uma continuidade, substituir uma relação e estabelecer uma nova ordem.
A questão aqui não é
afirmar que o homem aprendeu a fazer magia observando o leão e sim perguntar
por que uma operação semelhante — a ruptura de uma continuidade para permitir
o estabelecimento de outra —
aparece tanto na natureza quanto na experiência humana[4]?.
2. Morte, reconhecimento e memória.
O comportamento dos
elefantes diante dos restos de outros elefantes introduz outra dimensão. Existem
evidências de que elefantes demonstram interesse especial pelos corpos e ossos
de outros elefantes, aproximando-se, tocando-os e manipulando-os. Isso não
permite afirmar que os elefantes tenham uma concepção humana de ancestralidade,
nem que os ossos contenham literalmente uma memória consciente do indivíduo
morto[5].
Mas o comportamento
diante dos mortos permanece relevante. A morte de um semelhante produz uma
resposta comportamental que não parece ser simplesmente indiferente ao cadáver.
E isso abre uma
questão importante. O osso é, biologicamente, um resto corporal, porém, para o
homem, pode tornar-se: vestígio → memória → representação → linhagem → ancestralidade → objeto ritual. O
ser humano pode guardar, transportar, enterrar, expor ou utilizar restos
mortais dentro de sistemas simbólicos. Não é necessário afirmar que exista uma
consciência armazenada no osso para reconhecer que o osso pode tornar-se um
portador material da relação entre os vivos e os mortos[6].
3. Engano, disfarce, ocultamento e sobrevivênvia.
A natureza também
contém o engano. O mimetismo, a camuflagem e a dissimulação fazem com que
determinados organismos assumam formas, cores ou comportamentos que dificultam
sua identificação por outros organismos.
O inseto que se
confunde com um galho não está mentindo em sentido moral. O predador camuflado
não está cometendo fraude. O organismo que imita outro não está praticando uma
transgressão ou bullyng. Um inseto, pode
assumir a aparência de uma folha, de um galho, de uma pedra ou de outro
organismo, um reptil pode mudar de cor para se confundir com o ambiente e sobreviver
ao predador. O mecanismo pode produzir: ocultação → não reconhecimento → vantagem → sobrevivência.
No homem, estruturas
semelhantes podem aparecer como: disfarce → ocultação → engano → vantagem. A diferença não está
necessariamente na estrutura básica da operação. Está na consciência que o homem
pode acrescentar a ela. O animal não precisa formular: “vou enganar”. O ser humano
pode formular exatamente isso.
Assim observamos que
a operação de ocultamento existe antes da categoria humana de mentira. O homem,
entretanto, pode transformar essa mesma operação em: disfarce, ocultação,
fraude, mentira, espionagem, engodo ou estratégia. A operação fundamental já
existe na natueza. O homem acrescenta intenção consciente e julgamento moral.
4. Roubo, apropriação e exploração
A natureza também
apresenta inúmeras formas de apropriação. Existem animais que roubam alimento,
utilizam recursos produzidos por outros organismos, ocupam estruturas construídas
por outras espécies ou utilizam estratégias reprodutivas que transferem para
outros indivíduos parte do custo de criação da descendência.
Não é necessário
chamar isso de “roubo” no sentido jurídico humano. A palavra “roubo” pertence
ao universo moral e social humano.
Mas existe uma
operação anterior: obter algo produzido, acumulado ou pertencente funcionalmente a outro
organismo. O homem transforma essa operação em categorias como: roubo,
fraude, usurpação, exploração, sequestro e apropriação. Novamente, a
natureza apresenta a operação antes da classificação moral.
5. Reprodução e morte
Algumas espécies de
aranhas, incluindo espécies conhecidas como viúvas-negras, apresentam
canibalismo sexual em determinadas circunstâncias. Algumas espécies de
louva-a-deus também apresentam esse comportamento. Não se trata de magia. Não
se trata de moralidade animal. Trata-se da coexistência, em um mesmo processo
natural, de: aproximação sexual →
reprodução → eliminação do parceiro.
Aquilo que o homem
costuma separar em categorias distintas — sexualidade, amor, violência e morte
— pode aparecer na natureza dentro de uma mesma sequência. Isso demonstra
novamente que a natureza não organiza necessariamente suas operações de acordo
com as categorias morais humanas.
PARTE II
A NATUREZA COMO CAMPO DE OPERAÇÕES
A partir desses exemplos anteriores, a natureza pode ser observada não apenas como um conjunto de objetos, mas como um campo de operações.
Ela não é somente: pedras, árvores, animais, rios, montanhas e corpos.
Ela também é: atração, repulsão, união, separação, competição, cooperação, proteção, reprodução, morte, transformação, ocultamento, apropriação, dispersão e continuidade.
Essas operações
acontecem continuamente, o homem também as realiza. A questão é saber se essa
correspondência é apenas uma coincidência estrutural, se deriva da própria
condição biológica humana ou se existe uma relação mais profunda entre o homem
e a ordem da natureza.
1. O
homem não precisa reconhecer conscientemente o padrão
Essa
hipótese não exige que o homem tenha observado conscientemente um animal,
identificando um padrão e decidido copiá-lo. Essa seria uma explicação possível,
mas não é a hipótese central.
A
proposta é mais profunda, sendo o homem parte da natureza, determinado
processos presentes no mundo natural podem reaparecer na experiência humana sem
que exista necessariamente uma percepção consciente de sua correspondência - natureza → ser humano → consciência →
intenção → cultura → moral → ritual - Não necessariamente
porque o homem tenha estudado a natureza e decidido imitá-la. Mas porque o
próprio homem é uma manifestação da natureza.
2. Consciência,
vontade e direcionamento
Aqui aparece um dos pontos centrais da hipótese da “força bruta da natureza” a natureza produz a operação, o homem pode querer a operação.
A natureza separa sem formular a ideia de separação, o homem pode querer separar.
A natureza atrai e repele, o homem pode desejar atrair ou repelir.
A natureza oculta, o homem pode desejar ocultar.
A natureza protege, o homem pode desejar proteger.
A natureza elimina, o homem pode desejar eliminar.
A natureza transforma, o homem pode desejar transformar.
A questão é o que acontece nesse intervalo entre o processo natural e a vontade humana.
O que exatamente seria direcionado?
Uma disposição psíquica?
Uma força simbólica?
Uma relação social?
Uma expectativa?
Uma energia?
Uma operação ritual? Ou algo que ainda não sabemos nomear?
Neste estágio, a
hipótese não precisa responder, ela apenas precisa preservar a pergunta.
3. O filtro moral
A natureza não chama
uma operação de roubo, traição, assassinato, pecado ou perversidade, o homem
cria essas categorias. A mesma operação pode receber diferentes julgamentos
conforme a sociedade, a época, a religião e a cultura. Assim, aquilo que existe
de maneira bruta na natureza passa, no homem, por diferentes filtros: consciência → linguagem → cultura → moral →
religião → lei → ritual.
A natureza produz a
operação, a cultura dá significado, a moral julga, o ritual organiza, a vontade
direciona.
4. A magia dentro dessa hipótese
A magia, nesta
formulação, não precisa ser entendida como uma força inventada artificialmente
pelo homem. Também não precisa ser entendida como uma propriedade sobrenatural
atribuída diretamente à natureza. Ela poderia ser investigada como uma possível
forma cultural pela qual o ser humano reproduz, reorganiza, simboliza e tenta
direcionar conscientemente operações que também aparecem espontaneamente nos
processos naturais. Isso não prova que uma operação mágica produza
objetivamente o efeito pretendido, essa é outra questão. A hipótese está
tratando, inicialmente, da estrutura da operação, não de sua eficácia
sobrenatural.
PARTE III
A POSSIBILIDADE DE UMA CONSCIÊNCIA NÃO
HUMANA
É neste ponto da hipótese surge uma segunda camada da hipótese. Se existe uma correspondência tão ampla entre os processos que acontecem na natureza e as operações que o ser humano posteriormente reconhece, simboliza e tenta direcionar, pode-se levantar uma pergunta filosófica adicional: E se a própria natureza possuir algum princípio de organização ou algum tipo de consciência que não seja equivalente à consciência humana?
Essa pergunta não é necessária para sustentar a primeira parte da hipótese e sim ela constitui uma segunda hipótese, de natureza metafísica. Não seria necessário imaginar um “homem gigante” controlando o universo e nem uma personalidade humana espalhada pelo cosmos. A ideia seria muito mais abstrata: uma consciência não antropomórfica, ou um princípio consciente da totalidade, que participa da organização e do movimento da realidade. É aqui que aparece a antiga ideia de anima mundi, a Alma do Mundo.
A ideia de uma Alma
do Mundo possui uma longa história filosófica e religiosa. Em formulações
associadas ao platonismo, especialmente no Timeu de Platão, o cosmos pode ser
concebido como um todo ordenado e animado. Posteriormente, diferentes tradições
filosóficas desenvolveram ideias semelhantes, embora de maneiras muito
diferentes.
A hipótese aqui não precisa assumir nenhuma dessas tradições como verdadeira, pode simplesmente utilizá-las como referência para formular duas perguntas:
Se a natureza apresenta uma multiplicidade aparentemente infinita de operações, seria possível conceber que exista por trás delas um princípio unificador, uma consciência ou inteligência não humana que não pensa como nós, mas que participa da própria organização da realidade?
Essa seria a camada da Alma do Mundo?.
Se essa hipótese metafísica fosse acrescentada à hipótese anterior, poderíamos imaginar três níveis: Alma do Mundo → força bruta da natureza → manifestação dos processos naturais.
A Alma do Mundo, nesse modelo hipotético, não precisaria ser entendida como alguém que decide individualmente cada acontecimento. Ela poderia ser pensada como um princípio de organização, movimento ou consciência da totalidade.
A “força bruta” seria
aquilo que aparece efetivamente no mundo: vida, morte, reprodução, atração, repulsão,
transformação, competição, cooperação, proteção, destruição, ocultamento e
continuidade e o homem seria uma manifestação consciente
dessa mesma realidade. Assim teríamos: princípio → natureza → vida → homem → consciência →
intenção → ritual. Deixamos claro que isso é apenas uma hipótese filosófica, não
uma conclusão científica.
Essa possibilidade
produz uma consequência importante. Se o homem é parte da natureza e existe,
hipoteticamente, uma consciência ou princípio organizador da própria natureza,
então a consciência humana não estaria completamente separada do restante do
mundo, ela seria uma forma particular de manifestação da realidade.
A consciência humana
seria: natureza que percebe, natureza que lembra, natureza que deseja,
natureza que imagina e natureza que direciona. Isso não significa que a
consciência humana seja necessariamente a Alma do Mundo. Significa apenas que,
dentro da hipótese, ela poderia ser compreendida como uma manifestação
localizada de uma realidade mais ampla.
PARTE IV
A MAGIA COMO DIRECIONAMENTO CONSCIENTE
DA FORÇA
É aqui que as duas partes da hipótese podem se encontrar.
Primeiro: a natureza possui operações.
Segundo: o homem é parte da natureza.
Terceiro: o homem possui consciência e vontade.
Quarto: o homem pode representar e ritualizar operações.
Quinto: pode existir, hipoteticamente, um princípio mais amplo de consciência ou organização da natureza.
Então surge a pergunta: Seria a operação mágica uma tentativa humana de estabelecer uma relação consciente entre sua própria vontade e as forças ou operações que já pertencem à natureza?
Essa pergunta é
diferente de afirmar que a magia funciona. Ela pergunta qual seria a estrutura
filosófica da tentativa mágica.
PARTE V
O PONTO DE ENCONTRO
(RESUMO)
O ponto de encontro
entre as duas hipóteses estaria justamente na ideia de que o homem não está
separado da natureza. Se existe uma Alma do Mundo, então o homem não estaria
diante de uma natureza completamente externa. Ele seria uma parte dela e se a
natureza contém operações que reaparecem na consciência humana, então talvez
aquilo que chamamos de “magia” possa ser estudado como uma tentativa humana de
estabelecer uma relação consciente com essas operações. Não necessariamente
porque o homem as tenha inventado. Não necessariamente porque as tenha
compreendido. Mas porque ele próprio é constituído dentro do mesmo mundo em que
elas acontecem.
Assim, percebe-se que
a hipótese pode ser resumida em cinco proposições:
Primeira: a natureza
manifesta, espontaneamente, um conjunto de operações fundamentais: união,
separação, atração, repulsão, domínio, proteção, reprodução, morte,
apropriação, ocultamento, transformação e continuidade.
Segunda: essas
operações também aparecem na vida humana, embora recebam consciência,
linguagem, cultura e julgamento moral.
Terceira: não é
necessário supor que o homem tenha conscientemente observado a natureza e
decidido copiá-la. Ele próprio é parte da natureza, e determinadas estruturas
podem reaparecer nele sem reconhecimento consciente de sua correspondência.
Quarta: aquilo que
chamamos de magia pode, dentro dessa hipótese, ser investigado como uma
tentativa cultural de reproduzir, organizar e direcionar conscientemente
determinadas operações.
Quinta: em uma camada
metafísica adicional, pode-se perguntar se a própria natureza possui algum
princípio de consciência ou organização não humana, semelhante ao conceito
filosófico de Alma do Mundo, do qual a multiplicidade dos processos naturais
seria manifestação.
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Por Azazel Semjaza Qayinn Lvnae
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[1] e dizer mentiras símeis aos fatos é furtá-los à luz,
encobri-los. As mentiras são símeis aos fatos enquanto só os tornam manifestos
como manifestação do que os encobre " ele, revela assim, similitude
que se oculta na verdade e na mentira no estreito caminho entre o cinismo
e a ingenuidade.
[2] Também não podemos negar que a natureza
mata (enchentes, terremotos, dentre
outras catástrofes naturais, etc...) e nem que ela também encontramos elementos que tem o poder de curar, salvar, envenenar,
dentro muitos outros exemplos.
[3] Podemos ate arriscar, hipoteticamente, dizer que há certa amoralidade
nesses e em outros processos da natureza.
[4] e, nao referente somente as práticas de feitiços e rituais, mas também em algo muito grave refletido nas páginas policiais (homicidios, infanticidios e vicaricídios). Não estamos aqui justificando nenhum tipo penal, pelo contrário, defendemos a exemplar punição dos que praticarem.
[5] É necessário ter cautela com a ideia popular de que elefantes possuem
“cemitérios” deliberadamente construídos para onde vão morrer.
[6] Isso não autoriza e nem legitima subtrair ou retirar restos mortais de
um cemitério, pois fazê-lo, configura o crime de destruição, subtração ou ocultação de cadáver,
previsto no Código
Penal Brasileiro em seu artigo 211.
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