VIA LACTÉA
O DIÁRIO DE AZAZEL
PAGINAS 2135 A 2137
As coisas nem sempre acontecem como desejamos. Eu havia escolhido o exilio, afinal estava cansado de servir a corja pálida e eles, em especial Urakabarameel, haviam dado a palavra de que me deixariam em paz.
A pandemia que dissimou muitas vidas, reforçou ainda mais meu auto-isolamento. Meus contatos pessoais foram tornando-se raros, até resumirem-se em meros e escassos bom dia. Ficaram tão poucos em meu conviveu pessoal, que contando nos dedos sobram-me quase seis ou sete. Portanto, foi uma escolha difícil, mas contudo necessária.
Passada a pandemia, meus dias foram tornando-se monótonos e vazios e eu começei a duvidar se minha decisão tinha sido acertada, afinal, o deserto social em que eu estava era um caos de solidão e silêncio insurdecedor.
Confesso que olhar as paredes bracas e em tons pasteis, contrastando com um laranja quase abóbora, lembravam os fast food, onde você entra cheio de desejo de fome e em poucos minutos se sente saciado e entediado.
Assim, me restava apenas ler, escrever e ver o tempo passar e acreditem eu havia devorado quase três centenas de livros nesse periodo.
Por volta do segundo ano da pandemia, conheci um jovem, que se tornou meu parceiro temporário. Eu que jamais havia desenvolvido sentimentos não fraternal por qualquer filho de Abel, havia me apegado a ele, tornei-me sensível e carente, melancólico de paixão.
Isso foi minha pior angustia, porque ao libertá-lo, sua partida dividiu-me ao meio. Sim, o libertei pois tinha plena noção do erro que estava cometendo em querer medir-me pela régua dos filhos do barro.
Mas, assim como os Vigilantes que se viram seduzidos pelas belas filhas dos homens e cairam em desgraça diante de UM, eu ja havia caído do alto do céu de Um-Eu nas terras escuras dos sentimentos e desejos pela carne dele. Nenhum outro filho do barro me fazia sentir aquela conexão e desejo.
Mesmo, deixando-o ir, via-me levado ao desejo de possui-lo e através das cortinas do sonho-feito-carne, como um incubus, eu o devorava por inteiro, vez ou outra, ele dizia-me, que acordara muito cansado, como se algo tivesse sugado suas forças, mesmo sentindo culpa, eu ria internamente pois sabia os motivos. Ele na inocência do no sonho-carne-esquecido, tão qual fazia na carne de barro escondido, se entregava a devassidão e a luxúria sem qualquer pudor ou decoro.
Mas ao usá-lo no sonho, eu esquecia a regra básica, que se o ato acontece no sonho-feito-carne, o corpo do sonhador-vitima, não terá forças para realizá-lo, pois estará sempre exausto.
Então decidir, mudar a tática, e ao invés de levá-lo expelir seu elixir no sonho, passei a insuflar sua mente com imagens de desejo pelo meu talo em riste e de ser deflorado por via inversa.
Isso se tornou uma faca de dois gumes, ele passou a me desejar e a querer se entregar em segredo a depravação e eu por gastar meu tempo em usar o caminho da via lactéa não estava sendo capaz de erijir o altar para satisfazer seus desejos pervetidos.
Desta forma, estava me tornando fora do sonho, apenas coadjuvante de seus orgasmos, sem contudo poder satisfaze-lo em sentir-me dentro de si, a não ser pelo beijo-inverso.
O que fazer, já que há muito tempo não usava desta via e ao reutilizá-la, ela estava me desgantado por demais?
Qual a melhor tática para mantê-lo neste vício iniciado nas névoas obscuras do sonho?
A resposta para ambas interrogações - pensei comigo - seria o envultamento e meu proprio auto-cuidado, reservando minhas forças evitando que a fonte no caminho de leite secasse e assim poder usufluir de sua carne e fazê-lo sentir a via fluída de minha vitalidade em seu intimo.
O Envultamento, funcionou perfeitamente, entretanto o auto cuidado não foi observado e novamente não pude entrar em sua carne de barro.
Mas, hoje, a lição foi aprendida, estarei sempre preparado para satisfazer seus desjesos inconfessos.
Veremos se isso dará resultados.
Autoria: Azazel Semjaza Qaiynn Lvnae
___________________________________________
O texto acima é uma ficção e como tal ele diz mentiras símeis aos fatos, “e dizer mentiras símeis aos fatos é furtá-los à luz, encobri-los. As mentiras são símeis aos fatos enquanto só os tornam manifestos como manifestação do que os encobre " ele, revela assim, similitude que se oculta na verdade e na mentira no estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade...