domingo, 26 de dezembro de 2010

CRÔNICAS UM GATO NA NOITE

Eram 14hoomin, eu acho...
150 ml só, Eu disse...e..
Dormi.
Dormi!
Dormi?
Sonhei acordada que era uma gata e caminhava na noite com passos amedrontados e temerosos em um cemitério. Era grande, com anjos infernais, seres medievais, demônios!
Mas que lugar é esse? (me questionei), o cemitério onde minha família está enterrada não é assim, tem um cheiro de povo, de bagunça com um toque de sangue seco no ar, meio enjoativo , os túmulos são de cimento envelhecido pelo tempo. Foi ai que me vi no meio do Cemitério da Quinta dos Lázaros, aqui mesmo na velha cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos, Orixás, Exús e Caboclos, aliás já diz a canção que “ O baiano é um povo a mais de mil, E tem Deus no coração e o diabo no quadril...”, eita! Meu Rei, velho Diabo reina solto por aqui, mais voltemos ao sonho acordado, se já havia medo em mim, aquele lugar me trazia lembranças.

E ali caminha uma gata negra com olhos amarelado, devagar para não ser notada, mas como posso temer, se quem me ver temerá a mim também ou no mínimo me jogara uma pedra, gato preto não são bem vindos ainda mais a noite, gato preto é coisa do Demo, do tinhoso, de pé fendido..Deus é mais, patuá, cruz credo, mangalô três veses....

Sou parte desse universo, ao dizer isso aquele cenário se completou e passei a ver todos os seres que caminhavam a noite, mortos, solitários e ainda vivos, conversando, chorando, gritando, cantando, caminhado e só! E eu ali, mais um naquele mundo.

Fui para o corredor onde estão engavetados, e como se não houvesse tampa vi a ponta de seus pés, a mexer temerosamente, fui então para o lugar onde estão enterrados os corpos sem dono, sem história, sem destino... os indigentes, a terra era fofa e minhas patas afundavam na terra, havia muitas moscas, fedia a carne podre, parecia com terra adubada, e pasmem, a tera era adubada! Ali como diria Pero Vaz de Caminha, “em se plantando tudo dá”...

Fui até o muro, não sei fazer o que, mas entendi que fiquei entre o mundo dos vivos e dos mortos e na hora de voltar, me desequilibrei, mas sobi e continuei minha caminhada, foi quando em meio aquele universo voltei, ou acordi, ou despertei ou simplesmente abri os olhos no sonho ou só senti.

Estava no quarto, a presença dos cães me incomodava, perturbava a minha saga, me fazia desconcentrar, senti alguns deitados ao meu lado, só que quando voltei esqueci de volta a mim, pois a gata ainda era eu e eu era ela, deixe de retornar como ser humano, os sentidos felinos ainda estava vivos em mim, minha cabeça pesava, o corpo se movia diferente, os sentidos estava três vezes mais aguçados, ouvia demais e não sabia selecionar o que era prioritário escutar, era estranho e nesse despertar no sonho lembro-me de passarinhos nunca foi tão interessante ouvir o cantar, parecia que escutava com as entranhas ou com o estomago, meus nervos estavam sem controle, me via, me sentia, mas não me “comandava” sentia vontade e seguia instintivamente, era isso instinto!
Acordei.
Acordei!
Acordei?
Será que foi o chá que eu tomei?
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Texto de Marcha Lvx Lvnae

A Autora autoriza a reprodução, desde que sejam citados
autoria e fonte original da postagem...

Um comentário:

Azezel semjaza Qayinn Lvnae do Corvo Sagrado disse...

Sem comentários...
No meu caso, era coruja..Um coruja cinza (ou branca, devida a noite)...
Totalmente consciente rumo ao Grande Az-Sabbat...