terça-feira, 5 de novembro de 2013

MEU PEQUENO MAGISTELLUS

O DIÁRIO DE AZAZEL - PAGINA 256

São 04h45min...

Acabo de retornar da minha Caçada Noturna... Agora meus cães diabólicos, dormem calmamente na forma de Pitcher, retornamos da missão dada por aqueles que clamam por justiça debaixo dos meus pés...Tomo um gole de água da garrafa ao lado da cama, abro a janela, acendo um cigarro... e divago:

“...Uns pobres diabos que se acham poderosos em feitiços, que acreditam que  estou fazendo trabalho, catimbó e macumba para derrubá-los, e como forma de atacar só sabem praticar calúnia, difamação, fakes nas redes sociais...”

Não consigo segurar um riso sarcástico e silencioso..quando penso:

“....Que pena, eu uso o que sei, voar à noite na formas que não é a minha e perpetrar a caçada noturna...”

Pego meu pequeno diário de anotações sacrílegas na mesinha encostada à parede e escrevo: “...Três noites consecutivas de lutas e batalhas no astral e a vítima apenas acha que é um pesadelo, mas logo descobrirá que nem sempre fumaçada, panelada, ou ir ao cemitério, ou muito menos mando rezar missa, são as únicas formas de se atingir quem nos persegue..”

Paro de escrever subitamente.... Então me dou conta de que sei causar um ataque e fazer a vítima acordar cansada, marcada, assustada... e por fim, depois de certo tempo, da lua certa, da configuração estelar perfeita, ela sucumbirá infalivelmente num esgotamento nervoso, seguido de vário sintomas psiquiátricos... Mas isso será o bastante para pagar o preço da covardia que sofri?

Por outro lado, lá no fundo da alma, uma voz levanta-se, ainda cambaleante, das profundezas da terra do pesadelo, fazendo cessar meu sorriso sarcástico e silencioso, meu rosto torna-se sério e murmuro:

“... Eu avisei!!! não sou tão inofensivo assim, você tinha razão em tentar prevenir os que amo de que sou perigoso, apenas não soube mensurar o tamanho do perigo... aprendi a me defender quando os espíritos evocados não podem interferir...hoje, aliei-me a eles no além da fronteira, eu mesmo, me tornei em vida o que serei na morte: Um espírito errante da noite, um filho exilado da descendência de Caim....

Suspiro e penso ao fitar a única estrela visível na noite fria e chuvosa:

“...Mais uma vez confirmado, sei quem sou qual minha origem e para onde vou e como voltarei a viver depois de passar a fronteira entre o visto e o não-visto...”

Volto a escrever no meu diário:

“...Já não estranho as paisagens do além, já andei por estes desertos e por estas florestas antes, convivi com cobras e escorpiões, matei minha sede ao beber do meu próprio sangue... por isso, contra ele, não levanto a mão, como você fez, ao contrário, defendo meu sangue e sei ir minando de forma sorrateira as forças dos inimigos que vão de encontro a ele...Então não se surpreenda se logo as noticias de doença, fraqueza, nervoso, inquietação de seus lacaios lhe chegarem aos ouvidos e você impotente nada poderá fazer, pois aprendeu apenas a atingir o corpo e o material dos que elege como inimigo a debelar, eu ao contrário aprendi a entrar pela janela e sugar o sangue das crias de Abel...”

Fecho meu diário e com ele na mão desço a escada, passo pela sala vou até cozinha, coloco a água do café no fogo, as cadelas descem comigo, fiéis escudeiras, abro a porta de entrada, elas saem correndo vão latir para os pássaros que acordam barulhentamente dos cantos externos do telhado, volto meu olhar para o céu acinzentado da manhã e as gotas finas da chuva fria caem sem parar sobre o capuz da camisa preta que uso, a calça do pijama azul de flanela com desenhos de carinhas de cachorros marrons, ficou gelada, aperto meus dedos dos pés da sandália verde, retorno a cozinha, faço meu café forte e bem doce, tomo o primeiro gole quente dele...
Volto a escrever no diário:

“...O cheiro do café fresquinho e passado na hora é um bálsamo para mim... tenho sangue de Qayinn, a Marca da Bruxa, sou uma Criança Vampirica de Lilith, sou nascido da semente de Azazel e Bruxaria para mim é um Ofício Feiticeiro e não uma Religião...Eu conheço o terreno do sono, aprendi a controlar o não-sonho, não sonhando posso manter-me sobre o meu corpo quando durmo e se preciso for, sei sonhar-acordado-dormindo-feito-carne a noite e voar como último recurso de defesa... Por isso não me furtei de fazê-lo estas noites... É verdade não deixei de ser Bruxo e Feiticeiro, de fato sou nascido da mandinga, criado na macumba, e dendê e jurema corre em minhas veias, a marca da coifa me autoriza e a semente posta por debaixo de minha pele me dá a força nestas caçadas noturnas... Eu vou, cantei por três noite seguidas o feitiço que um morto me ensinou... Coruja, coruja,  coruja, no corpo de uma coruja eu vou entrar, com bastante suspiros e muito trabalho, em nome de Deus ou do Diabo eu vou...”

O despertador do celular toca e me traz de volta a manhã fria e chuvosa... e mais uma vez, aquele sorriso sarcástico da madrugada ocupa meu rosto... Por hoje é só meu Pequeno Magistellus...

P.S: “... O Texto é uma ficção...ou melhor...Uma metáfora que revela a similitude oculta da verdade e da mentira no estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade...



5 comentários:

Joao Pedro Vieira dos Santos disse...

Ler não é algo que costumo fazer, mas esse texto eu curtir pra caramba ! parabens

Jair de Santana disse...

Obrigado JP, é uma honra para mim..

Gabriel Novossad disse...

Que texto encantador...parabens ficou incrivel =)...

Jair de Santana disse...

Obrigado Gabriel..se houver inspiração dos mortos a soprarem entre os uivos e sibilos da noite sem Lua, quem sabe outras crias possam nascer...

Jair de Santana disse...

Ao Sr. ou Sr.ª Anônima que vive deixando recados no meu blogger:

Antes de me falar que Deuses ou Espíritos devo adorar ou criticar minha forma de fé, ou denegrir meu passado.... me prove antes que você é Bruxo (a) e faça subir um morto do além.... Preferencialmente sua avó Bruxa Monomastequitomizada......