domingo, 12 de maio de 2013

BEATRICE e ARTUR


 BEATRICE
Junho é o mês de Santo Antônio, Santo Casamenteiro, Aquele cujo ícone fora do limite é o segredo que casa o céu com a terra.  Sincretismo de Ogum, Ferreiro, Guerreiro solitário, cuja lâmina é o símbolo do caminho de fogo que divide aqui de lá.


Nos terreiros há feijoada, Na Igreja trezena, Na Arte o segredo de casar o divino e o herético sob o signo da cruz de Cristo e, debaixo da Gameleira com gosto de vinho de fogo romper os limites e saber lamber a rã e beijar o sapo.... Então em noite turva e tumultuada, com saudade do gosto e do efeito do álcool, você Sonhou e entendeu o que dizia o ícone de amarração e o sentido da queima pelo fogo que o Mestre mostrou.


Percebeu que não havia nada e nem ninguém, além de ti mesma, que te impedia de seguir, tu obstáculo e trave de teu próprio caminho.


Ogum lhe disse no reflexo da lâmina que é o tinir do martelo de Caim que precisas ser transformada e transmutar o apego em estrada para ir além daqui, viu no calor da chama do dendê, que precisa ter o arcano que está além do signo e do rito, e ao mesmo tempo dentro dele, e, nisto consiste a tua ancestralidade, aqui há um segredo para ti: o que importa é saber quem se é qual a tua origem.




Por isso na liberdade que a mente alça fora e dentro do limite, louve a Exu que abre-te as portas em cada encruzilhada, te ensina a livrar-se de teus próprios medos e apegos, desta forma há espaço para que se realize a epifânia de um epô; 

Não deixe que nada e nem ninguém seja empecilho as tuas conquistas, somente você pode impedir a você mesma.


Que você possa entender que esse é o momento do exílio, sim!!!, guardadas as proporções, é um exílio qayinnita, terás de que deixar a segurança da caverna, as sombras refletidas pelas chamas da fogueira do comodismo devem ficar para trás, deve quebrar os grilhões e vê o sol e a cruz que forma o tal da serpente, sim prepara teu “Eu e quem és” para o lugar onde vai enfrentar a solidão escaldante e o frio do vazio da noite (deserto), onde nem mesmo o céu estrelado e a luz da lua cheia confortam o estranho espaço a ser preenchido dentro de tu mesma. Lá é o lugar onde há sempre escorpiões e chacais à espreita em cada esquina, a fim de devorar-te com sonho e tudo, e se ainda sobreviver a isso, há que enfrentar o abafado estado de vazio dentro do coração, ele é quente e úmido (como a floresta), empesteado de animais e insetos mortais. Nada será confiável, uma simples flor pode carregar um veneno mortal, valei-me meu São Jorge!!! Empreste-me suas armas e sua armadura, pois haverá até dragões pra lutar.



Valei-me Santa Luzia!!!, clareia os olhos para que eu veja com gratidão no mais profundo de mim, se vale apena abraçar a dor da separação e seguir a estrada tortuosa.



Que lhe seja sagrado este demoníaco-divino momento de exílio, que ali aos pés da árvore da vida, você reflita nas muitas faces que Nossa Senhora se apresentou a você, e finalmente possa encontrar tua mãe e libertar o espírito dela para o além sem consciência de onde todos que não sabem e não lutam pra saber quem se é devem ir.


Gratidão pelo teu teste do limiar, gratidão pelo exílio e viva-o com intensidade, faça como Qayinn construa uma nova cidade (vida) e faça-a prosperar, pois, assim como Iavé colocou a marca em Qayinn para que ninguém o fira, você foi marcada pelo fogo e pelo ferro, o prego que nunca esfria, o quarto prego da cruz há que perseguir cada lugar em que montar tua barraca de cigana. Que o este prego-archote esteja contigo, que Os Mestres do além de tuas crenças e o meu Mestre esteja ao seu lado e lhe faça forte.


O exílio dói, mas no fim você estará saindo da caverna, atravessando o deserto, chegando à floresta, lé encontrará o vale fértil, onde aprenderá o segredo de lamber a rã e beijar o sapo. Ali plante a semente do manhã e lembre-se sempre de quem é, de onde veio, qual a sua origem... 

Desça com dignidade e cabeça erguida, demonstrado sua honra, as escadas do inferno, entregue-se ao homem desnudo, para poder levantar-se rumo ao paraíso perdido como um Anjo, isso é tudo, e nisso há coisas ditas nas entrelinhas que a compreensão comum não percebe.... Aprenda não há mistérios em ritos onde o coração não está e onde a crença é duplamente praticada aquém do limite.


Saiba que o verdadeiro sabá é o sonho-desejo- feito carne, por isso transforme seu sonho-desejo em realidade na carne. Lute como Jacó na escada com o Anjo de Deus e Seja Rainha de seu reino (vida-destino). 

O Amanhã está agora sendo construindo por você, toda jornada começa com o primeiro passo, o que havia deixou de ser continua sendo, a árvore que dá a semente não é ela mesma renascida, mas contudo ela continua na semente, portanto, continuará sendo árvore nova e semente nova, trazendo em si toda árvore velha que foi semente velha.


Nunca desista. 
Nunca peça o que não pode suportar;
Nunca prometa o que não pode cumprir;
A honra deve ser preservada a qualquer custo. 
Palavra dada, palavra cumprida. 
Não há meio termo. 
Este é o lema do dia 13 de junho de 2013.l



    ARTUR

A beleza da fé é o coração, se não há coração, a fé não faz a ligação entre o céu e a terra e os Mistérios da Deusa Mãe de Todos não são revelados ao que busca a ciência. 

Para que o coração esteja firme é preciso saber amar a Deus, a amar a sua Mãe Maria, amar os Guardiões dos portais e amar os doadores da sabedoria e da ciência sagrada.


Amor não é sentimento apenas, é entrega, é troca, é reciprocidade, mas acima de tudo é sacrifício pelo outro. 

"O Amor é à base da sabedoria e o caminho para a ciência dos Encantados".

Por isso sobre o ícone de qualquer fé o amor pode ser praticado. Somente quem ama a si mesmo, pode compreender e doar o amor, porque só doamos aquilo que temos.


O amor não é essa coisa pueril dos filmes e novelas, amor é algo além, que se revela na fé sem nome. Amar-se é a forma de expressar o amor a Deus sobre todas as coisas, amar-se ao ponto de apaixonar-se por si mesmo e assim no ápice do ego, transcender a si mesmo e explodir em amor, e doar-se ao poder do amor que é Deus.


Para aqueles que ultrapassaram o limite da fé mortal dos deuses mortais, Deus está em todos ícone de qualquer fé, pois vários são os nomes e forma do ícone-amor que Deus se reflete.


Assim dependendo do pais, da região, do credo e dos atos litúrgicos as terminologias do ícone vão mudar, mas o poder ou coisas que eles representam permanecem como era no princípio, os nomes dos ícones mudam o amor-poder-Deus que eles refletem ou representam não muda jamais.




O que importa é o que está por trás do símbolo do ícone. Quando você romper o véu do apego ao passado e atravessar o limite estabelecido, saberá que nas várias formas da Arte os ícones sempre foram usados aquém e além do muro ou limite, e compreenderá o poder contido no ícone, pois ele foi corretamente e também popularmente preenchido com as preces dos fiéis, e muitos destes fiéis, repousam no sangue que corre nas veias de teu próprio corpo, aqui está o segredo da ancestralidade.




Os mortos de teu sangue vivo reconhecem no íntimo de ti mesmo o reflexo do que foram e são, ou seja, o sentido de terem vivido dentro do limite antes da morte e depois por meio da morte e de ti o de viverem posteriormente fora do limite estabelecido pela morte e pela moral.


Cabe a ti a missão de preencher o ícone com os poderes dos silentes. Desta forma o ícone quando corretamente usado fora e dentro da heresia, torna-se junto com o beijo no sapo e a lambida nas costa da rã a formula secreta da Deusa Mãe de Todos e dos mistérios que separam e unem os mundos dos vivos e dos mortos.

Sua mente deve saber atravessar e voltar da travessia ao limite em segurança e se ela souber separar os dois mundos na carne, aprenderá abrir a porta de cá para o além, e do além para cá depois da morte, ou como diria na minha crença, abrir os portais para o reino dos encantados.

O intercâmbio entre os mundos na carne é o caminho correto para  cruzar o limiar e comungar com os Mortos Poderosos e a com a legião que reside na Necrópole debaixo de teus pés e o contrário também é verdade, pois há que se fazer de lá para cá. 

Por isso "SABER QUEM SE É" é poder manter a consciência de si mesmo quando atravessar o portal que divide os vivos e os mortos, SEJA EM VIDA ou DEPOIS DA MORTE de teu corpo. 

No rito ao receber o corpo-espiritual do morto do além em seu corpo (pois o sangue chama pelo sangue), o vivo está comungando com a morte e os mortos ao virem seus corpos refletidos e trabalhando no corpo material do vivo estarão reciprocamente comungando conscientemente com a vida, afirmando QUEM FORAM e QUEM CONTINUAM SENDO, deste modo eles confirmam por tabela QUEM TU É, por isso o intercâmbio se faz necessário e o limiar é atravessado sempre de um lado para outro.


Para isso há que haver a entrega total, confiança e amor mútuos, ter a certeza que quando do arrebatamento de teus sentidos da terra para o além, haverá quem cuide de teu corpo aqui, que agora é um reflexo e a voz do túmulo dos falecidos de teu próprio sangue e origem.


Santifica e sacraliza teu sangue e tua carne, não o despreze nem mesmo o mais humilde de teus entes falecidos do passado, pois muita sabedoria e ciência tem se perdido, porque a maioria só aceita servir de intercambio com os mortos famosos em detrimento dos mais simples e humildes dos mortos do sangue, nisto temos visto muitas mistificações.

De mesmo modo quando somos arrebatados para o mundo do além, nos tornamos reflexo dos corpos espirituais do que estão em permuta de consciência com nosso próprio corpo, ou seja, aqui eles terão plena certeza e confiança que há quem cuide do corpo deles no outro mundo e a recíproca é verdadeira. Este é o segredo do beijo no sapo e da língua nas costa da rã.

O que isso quer dizer?


Apenas que o culto que vivo é uma forma nacional de Bruxaria sim, verdadeira herdeira da Bruxaria Ibérica, e quem diz isso não sou eu é o “Câmara Cascudo em seu livro Meleagro”, então, por esse ângulo não preciso transliterar ou agregar nada de minha crença antiga (Bruxaria) para a minha crença atual (Catimbó), pois dentro da  minha fé vivo a mesma coisa de minha antiga fé, ou seja, tudo da antiga fé existe na nova fé, apenas a suas formas e expressão visível diferem.


O que quero dizer é que evidente que existe a diferença em nível palpável e louvo aos Senhores Mestres por isso, mais em um nível além do que é compreendido pelo vulgo, não há mais divisão, e mesmo assim cada uma é uma, e são a mesma coisa, praticada de modos diferentes, o que me deixa livre para não misturar as crenças e seguir em paz.


Também existem coisas que faço que não pertencem nem a minha antiga crença e nem a minha atual crença, mas que acordam com o que é dito acima sobre o ícone, ancestralidade, liberdade e amor...


Agora se eu continuasse praticando minha velha crença e a nova ao mesmo tempo, mesmo que em espaços separados, minha mente também as veriam de forma separadas e desta forma elas seriam antagônicas, ou seja, estarei com apego ou a uma ou a outra, mas quando me entrego a uma e deixo que outra siga seu próprio curso sem que eu esteja nela, ai sim consigo me desapegar do passado e continuar praticando os mesmo atos de forma diferente, e assim existirá o respeito por cada caminho já trilhado por mim. Não preciso renegar o velho em detrimento do novo, mas sim, praticar o novo com amor, pois mesmo de forma diferente, mesmo de credo e ícones diferentes, ambas tem em si, tudo que a outra contém.


Não é difícil entender o que digo, veja bem na encruzilhada material ou física, há quatros caminhos e a menos que eu tenha o dom sagrado de multiplicar-me e viver cada parte do múltiplo caminho ao mesmo tempo, eu não poderia escolher mais de uma dos quatro caminhos de cada vez pra seguir. Lembre-se que cada caminho leva ao fim da jornada, mas cada um desenha essa rota com suas próprias peculiaridades.

Caim escolheu deixar o passado para trás e você?

12 comentários:

Artur Morais disse...

Caaaraaaaaa, que foda,

adorei muuuito.
Entendi muito bem o que você disse, muito bem. Estou a refletir desde antes, obrigado... Muito obrigado mesmo, a você e aos mestres.

Jair Santana disse...

Irmão, eu que lhe sou grato Artur, sem você esse texto não existiria.. conta comigo sempre.... Que os bons Mestres te dêem bons saberes..

☽❍☾ Κάδμος Νηρεύς Azazel Lvnae ☽❍☾ disse...

Lendo este texto e o seu início me recordei das trezenas de Santo Antônio (eu morava no bairro cujo santo era padroeiro)e os carurus que uma vizinha fazia pq era devota dele e os inúmeros feitiços e mandingas que as moças solteiras faziam (e talvez ainda façam) pedindo ao santo para se casarem.

☽❍☾ Κάδμος Νηρεύς Azazel Lvnae ☽❍☾ disse...

Lendo este texto e seu início me recordo automaticamente da minha infância e as trezenas de Santo Antônio que haviam no bairro que eu morava (o santo era padroeiro do bairro) e as quermesses que haviam e uma vizinha rezadeira, benzedeira, (acho que o primeiro contato com uma bruxa que eu tive) Dona Nem, que sempre fazia a trezena e um caruru (nem sabia que era costume o caruru) e rezava uns garotos todos os dias antes da trezena, para poder tirar o mau olhado e ajudava as garoas a fazerem seus feitiços e mandingas para conseguirem marido.

Anônimo disse...

Gostei do texto, se ligarmos fatos à acontecimentos, vamos ter uma ideia geral no que o texto quer dizer para cada um.

Jair Santana disse...

Renato (anônimo), obrigado por ler, foi importante para mim.

Jair Santana disse...

Obrigado ☽❍☾ Κάδμος Νηρεύς Azazel Lvnae ☽❍☾, espero que tenha entendido as entrelinhas do texto...

Cristiane Cerqueira disse...

Sou suspeita para falar de Ogum, pois adotei a persona referente a São Jorge e tenho um carinho imenso sobre o tal. Até porque vivenciei experiências pessoais com tal essência e hoje vejo tais experiências como transições de caminhos percorridos.
Caminhos que não foram abandonados, mas sim chegados ao seu esgotamento para que descem a oportunidade de novos nascessem no mesmo percurso. Um processo natural que para os aprendizados que tive e que confesso que foram poucos e mal aproveitados, me deram uma visão particular das religiões e ritos em geral.
Até o momento não desmerecendo nenhum caminho mas seja qual quer que eu venha a valorizar, de maneira sutil e inconsciente estarei realizando ritos antigos como base de tudo ou até numa aração bíblica interpretarei como tal.
Tudo isso pelas emoções vivenciadas no meu nascimento espiritual que me deixaram bagagens.
E ao ler texto as lembrança que me vieram foram as palavras de finais do filme As Brumas de Avalon onde Morgana comenta:
“A deusa foi esquecida por muitos anos, assim pensei.
Até perceber que a Deusa havia sobrevivido. Ela não foi destruída
apenas adotou outra encarnação. E talvez um dia as gerações futuras
ponderam fazer com que volte a ser como a conhecíamos...”
Como conhecíamos acredito que não mas como a momento lhe for permitido....
Cristiane Cerqueira.

Cristiane Cerqueira disse...

Sou suspeita para falar de Ogum, pois adotei a persona referente a São Jorge e tenho um carinho imenso sobre o tal. Até porque vivenciei experiências pessoais com tal essência e hoje vejo tais experiências como transições de caminhos percorridos.
Caminhos que não foram abandonados, mas sim chegados ao seu esgotamento para que descem a oportunidade de novos nascessem no mesmo percurso. Um processo natural que para os aprendizados que tive e que confesso que foram poucos e mal aproveitados, me deram uma visão particular das religiões e ritos em geral.
Até o momento não desmerecendo nenhum caminho mas seja qual quer que eu venha a valorizar, de maneira sutil e inconsciente estarei realizando ritos antigos como base de tudo ou até numa aração bíblica interpretarei como tal.
Tudo isso pelas emoções vivenciadas no meu nascimento espiritual que me deixaram bagagens.
E ao ler texto as lembrança que me vieram foram as palavras de finais do filme As Brumas de Avalon onde Morgana comenta:
“A deusa foi esquecida por muitos anos, assim pensei.
Até perceber que a Deusa havia sobrevivido. Ela não foi destruída
apenas adotou outra encarnação. E talvez um dia as gerações futuras
ponderam fazer com que volte a ser como a conhecíamos...”
Como conhecíamos acredito que não mas como a momento lhe for permitido....
Cristiane Cerqueira.

Anônimo disse...

Sensacional!

Jair Santana disse...

Cristiane Cerqueira
Que você possa entender o caminho e mesmo que por alguns instantes, houve um desvio, nosso caminho no sangue nos chamará de volta... Ouça a voz dos que partiram, eles clamam no teu sangue...

Jair Santana disse...

Anônimo

Meu irmão (a) obrigado...