domingo, 14 de julho de 2013

OS PADRÕES NOSSOS DE CADA FASE

Primeira Conversa

Você me pergunta o porquê dos padrões se repetirem, mesmo quando conseguimos mudar algumas atitudes referentes a eles. Ora, aquilo que não é finalizado tende a retornar, o que não é finalizado está preso a nós e nós nos prendemos a eles. 

Se lembrar dos processos de criação de elementais artificiais que estudávamos nos tempos GREGIS FAMILIAE ORBIS LVNAE, claramente entenderá que apesar de parecer diferente a atitude que tomamos, ele em essência é o padrão, que apenas assume uma expressão visível diferente, mas permanece o mesmo.

Outra forma, de pelo menos de leve, ver a forma-diferente-essência do padrão é aquela que aprendemos a respeito dos ícones e signos da fé antiga em relação à fé dominante, ou seja, qual é a essência-padrão de Afrodite e Santo Antônio?

O que há em comum entre ambos? a princípio dentro da forma Oficial dos cultos a que pertenciam ou pertencem, nada a não ser dicotomias, porém, dentro da heresia da fé sem nome, por debaixo de ambos os ícones, ou por detrás do véu de Lilith, existe um padrão de união-amor-sexo-desejo. 

E ambas as formas, dentro do seu tempo e cultura respondiam ou respondem - na forma da moral ou da amoralidade - como meios de acesso a esses poderes ou padrões. Mas esses são padrões naturais não distorcidos.

Neste ponto, a forma externa, e até as palavras de suplicas ou cerimônias dirigidas ao ícone pode mudar, mas o objetivo ou padrão continua sendo o mesmo, de mesmo modo respondem os padrões não resolvidos ou não-naturais, eles se nos reapresenta sobre outras atitudes e formas, mas são os mesmos. 

O que acontece é que temos medo de romper o elo com o padrão, preferimos que eles assumam, como o Elemental que não reabsorvemos, outra forma e permaneça com sua essência a nos procurar, e se o renegamos, ele se volta, como os padrões contra a nós e tendem a repetir aquilo que se destinam em nossa vidas.

Por isso é preciso reconhecer a essência do padrão, na forma nova do problema, e absorver, aprender e mudar. Mudar é romper, mudar não é renovar. Observe, nossa psique quando ouve “renovar”, se remete a renovação de algo já pré-existente, como por exemplo remarcar algo, e quando fala em “mudar” sempre está a indicar largar algo, ir em outra direção, deixar para trás, desapegar. Renovar é apenas uma faxina. Que mais cedo ou mais tarde terá que ser refeita sempre, mudar é deixar para trás, e está intrínseca a resolução de um problema que incomoda. As pessoas tendem a renovar.


Mudar é destruir, Mudar é o “novo”, mudar a rota é sair do “limite” estabelecido, e por isso renovam e não mudam, pois sentem medo do novo, olham as sombras projetadas na parede da caverna e acham que a realidade é aquilo, pois temem sair da zona de proteção, ou melhor, fingem que é as sombras nas paredes são a realidade, pois estão confortáveis.

Outra coisa as pessoas tendem pular etapas, ou varremos para debaixo do tapete da mente subconsciente aquilo que incomoda, fugimos, buscamos alternativas, fazemos de tudo para não encarar aquilo que nos machuca, menos enfrentar e mudar. E assim é inevitável não repetimos padrões. 

Quantas vezes repetimos na essência as mesmas coisas de quando éramos crianças na nossa relação de amor ou amizade? 

Evidente que não com as mesmas bizarrices da tenra idade,- choros e ataques histéricos no supermercado da criança que quer aquele doce ou brinquedo, que só é detido mediante palmadas ou aquiescência do desejo - que continuam ativas, mas agora toma a forma de chantagens emocionais, que tende sempre ao mesmo objetivo: ter a posse ou controle de algo ou do outro. O Certo é romper, não há outra opção, não rompemos porque temos medo de crescer.

Romper não é abrir-se ao nada, mais ao novo, com todas as suas dores, alegrias e conseqüências, pois quando repetimos a vida nos força a mudar e a (re) enfrentar o padrão. 

Romper Padrões não naturais dói, e temos que fazer isso, mesmo que esse rompimento faça com que todos te julguem como certo ou errado!. 

O que é certo ou errado? 

Como posso lhe dizer irmã? Eu não sei dizer “o que é certo ou errado”, cada qual saberá e verá nossos atos, apenas pelos próprios olhos de seu mundo circunscrito de verdades, pois jamais nos colocamos na ótica do outro (que vive pelo problema), tudo é julgado por nós pelo que pensamos e nisso há um “padrão” de senso, e como o assunto é “mudar-romper” padrões, não sei até que ponto você estaria pronta para ultrapassar o limite do aquém estabelecido para o além desconhecido e nem tão pouco posso supor as conseqüências e angustias dessa travessia de romper. 

Cada qual deverá seguir a sua rota escolhida. A única certeza e padrão comum é a primeira morte, a segunda morte já não é certeza e nem padrão, é especulação para uns e realidade e possibilidade de deificação para outros. 


Segunda Conversa

Você pergunta, como saber se rompemos o padrão, ou se resolvemos o problema?

Eu sempre pergunto a meus irmãos e irmãs de tempos de antigos: a semente que brota é a mesma árvore renascida ou ela é apenas um padrão de arvore ou é outra arvore?Pense nisso, amplie o sentido para tudo, amor, sexo, dinheiro, trabalho, filhos, vida, amarguras, decepções. Será da mesma espécie-padrão, terá até o mesmo DNA, mais nunca será igual, poderá ter frutos doces ou amargos, poderá produzir ou ser estéril, poderá ser uma cama ou apenas um lápis, ou só mais uma árvore, depende de como e onde e como ele nasce e brota. Repare que estamos falando de algo palpável, tangível, algo que pode ser mensurado pelo olho comum, ou seja, esse padrão é algo que se repete a espécie dele, e é necessária a sua existência como espécie é um “padrão-natural”. Do mesmo modo existem padrões que são necessários a nossa sobrevivência e devem ser repetidos e aperfeiçoados e adequados à nossa realidade. 

Contradição com a primeira conversa? Não, complementação a ela. 

Há Padrões naturais, basta-nos lembrar dos instintos e pulsões vistos nossos estudos acerca da psicologia e psicanálise em nosso antigo Conventículo.

Os padrões relativos a problemas não resolvidos, ou não naturais, podem até, segundo os estudos que fizemos estarem ligados aos traumas reprimidos nas fases de desenvolvimento infantil, se assim o for, retornarão e deveram ser encarados, a partir da terra do pesadelo (Id), enfrentado o Guardião (super-ego) e até encontra-se diante do senhor da morte (ego), este processo descrito em linguagem simbólica-psicanalítica nos ritos internos se processavam de outra ordem ou forma, mais tinha como objetivo a auto-transformação e o reconhecimento do Daemon-Anjo-Jhinn, em cada um e a união com o Senhor da Morte (sobreviver a segunda morte). Reconhecendo a besta (instinto) e o anjo (razão), em nós, poderíamos libertar-nos e junto Portador retornar nossa raça ao Paraíso de onde fomos expulsos.

Terceira Conversa

Você pergunta por que meu caminho hoje é a Jurema Sagrada. 

Já expliquei isso várias vezes nos blogger e em diversos comentários dele, mas as pessoas não querem parar para pensar, as pessoas tendem a levar meus textos para o lado espiritualizado ou religioso e não são capazes, por exemplo, de interpretarem os símbolos de um poema como um fato que fala da vida em carne e osso, e, elas não conseguem ver além de suas próprias circunscrições de verdades.

Toda vez quando explico, tendem a dizer que eu não devia ter abandonado a Bruxaria Ibérica e me convertido ao Catimbó, pois poderia agregara conhecimento. 

Ai penso com os meus botões: ora se a Bruxaria de qualquer forma precisar agregar de forma não natural e espontânea conhecimentos secretos de outros credos-feiticeiros, existe algo errado nela. 

Não é possível (e já se vê hoje) que pessoas que só querem acumular conhecimento e obter a sabedoria de vários credos e tradições-feiticeiras para agregar a sua Bruxaria Européia só sabem criticar minha escolha de romper conscientemente com o padrão de Bruxaria Ibérica e Pagã para mudar para uma Bruxaria nascida em solo nacional desde 1532.

Quarta Conversa

Veris Lvnae Sangvis Mevs, Semel Lvnae Semper Lvnae

Eu nunca reaprendi ninguém que saiu da família para seguir o próprio caminho, se saiu é porque não poderia seguir na CCS, mas se sorveu o sangue, mesmo não estando no ambiente, estará ligado a família, portanto, mesmo recebendo críticas e injurias do tipo: “as pessoas estão te abandonando, seu grupo está acabando; eu sempre abri mão para cada um seguir para o novo, conventículo não é igreja, não é convento, a Bruxa ou Bruxa, passa seu conhecimento para frente e na primeira morte, retornar como Familiar do Conventículo e se torna seu Professor e Guia, sobrevive a segunda a morte, sendo o Homem de Preto ou Rainha do Sabá, no meu caso como um Encantado.

Quando todos seguiram o rumo, chegou à hora de eu seguir meu próprio destino e Eu mesmo no meu tempo rompi o padrão natural com a CSS e o Conventículo foi lançado às brumas e existe apenas depois do véu do limite, no reino da amoralidade, e, dentro do sangue que corre nas veias dos nascidos com a coifa de Nossa Senhora. 

Por quê? 

Hora irmã, Eu não sou sábio o bastante, para poder praticar o mesmo padrão-essência-natural em duas formas de expressões de credo enquanto em corpo de barro, pois não conseguiria servir a dois senhores. 

Optei por aquela que é meu sangue está ligado e a qual trago na alma o legado espiritual, ou seja, o Catimbó Jurema. 

Creio que você viu o padrão natural em essência nisso.

Temos que aprender a desapegar e seguir o rumo de encontro ao “novo”, a diferença entre os padrões é: se eles me levam ao sabor do vento ou se eu aprendo a controlar a maré e navegar rumo ao meu Destino. 

Aqui se pode ver o sentido da Mítica Deusa Lua, ou seja mudar sempre, aprender a controlar a maré, o fluxo e refluxo da vida, Isso tentei explicar naquele tempo, mais havia muita juventude e não teria como explicar naquele tempo isso como agora, éramos muito jovens estávamos fascinados com o lado oculto, e menos preocupados com vida. 

Lembra, eu sempre incentivei a buscarem estudarem e trabalhar, conquistar o amanhã e fazer seu futuro, serem doutores e gente de condição financeira equilibrada, mais a facilidade aparente da magia seduziu a maioria e no seu devido tempo essa facilidade foi decepcionante, pois ela não resolvia os problemas nem padrões, não havia pó de perlimpimpim.

Mas pensas que fiquei triste? Não fiquei, isso foi maravilhoso, poder aprender, poder saber que errou, poder ter a capacidade de mudar e nisso encontramos Deus em nós e aprendemos quem somos, de onde viemos e qual a nossa origem. 

A aprendemos com isso, como a Deusa Mítica, a controla as Marés que nos dá capacidade de romper e mudar constante. 

Quando enxergamos o divino como carne, agindo na carne, a Arte pode ser praticada em qualquer culto com entrega total a este culto novo em detrimento ao culto velho, e assim praticamos desapego. 

De inicio, como você, pensei não iria me adaptar a certos valores cristãos no novo caminho-culto, mas novamente veio a mente nesta hora: olha a nomenclatura ai de novo meu povo.

E quem somos nós para dizer que no cristianismo não há sagrado? 

Eles vivem na carne isso e nos seus ícones. Sou eu juiz do meu irmão?

Parei e pensei!!!!!!!!!!!!Olha novamente a religiosidade ferida e abandonada por mim tentando tomar seu antigo lugar em minha nova vida (o padrão comum anti-cristão do paganismo, reaparecendo sob a nova forma de crítica). Então veio do além e da alma a voz que dizia, pouco importa o credo e a moral que certas atos no novo tem, somos livres e indomados, e nisto está o desapego não preciso temer ou odiar, simplesmente amar o novo com tudo que ele se nos apresenta, pois é preciso apenas que veja o sagrado e com ele se conectar pelos atos e ritos do novo. 

Então não necessito da nomenclatura ou títulos de Bruxaria para vivê-la na carne dentro da fé do sangue de fogo, ela toma outro nome (Catimbó), outra forma (Caboclos e Mestres , outro modo de culto, onde me entrego, quebro os laços com a nomenclatura antiga comum e expressões visíveis e saúdo o novo, planto a nova semente que brota, se ela dará frutos não sei, sei que o caminho continua e cada lágrimas caída nele irmã são gotículas de chuva, são águas que regam a terra fértil do novo. Por isso não somos nós mesmos depois que seguir o novo, ninguém fica imune, ninguém fique indiferente.

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Extraído do conteúdo de conversas pelo bate-papo do Facebook entre Jair de Santana e N.N.L, nos dias 26 de junho à 05 de julho de 2013. Publicado com autorização dos participantes. A Reprodução do texto é permitida desde que indicada à fonte e aos autores, pois já temos vistos vários textos do blogger publicados em outros sites sem os devidos créditos.

2 comentários:

Cristiane Cerqueira disse...

A leitura por mais que seja antiga cada momento revela uma nova forma de se ver e se entende-la... Como o momento, as emoções e as experiencias.Todas essas circunstancias quando distintas alteram completamente um ponto de vista.

Juremeiro Jair de Santana disse...

Cristiane
Nada é certo na vida, a não ser a primeira morte... o mudo é mutável e mesmo o movimento repetitivo dos ciclos da natureza trás o novo
por mais que pareça igual é diferente (como os padrões) as circunstância das coisas que cada nova fase trás, assim, temos sempre verão, inverno, primavera, outono, sempre as mesmas estações, mais cada um é uma nova, sem deixar de ser o que era...