quinta-feira, 29 de março de 2012

RESPONDENDO AS DÚVIDAS VI

Olá meu querido!
Meu nome de nascença é R.S, porém me intitulo como O.I!. Gostaria de saber a respeito de Qayin, qual a importância dele na bruxaria. Tenho a curiosidade de saber se ele é o primeiro ancestral de todo bruxo(a) ou se ele é uma máscara de Azazel. Bem, o que você poder me explicar sobre esse ancestral, se assim o for, eu ficarei grato! Grato desde já!

Saudações Irmão R.S, por favor, peço que tenha paciência comigo, e, não tome qualquer termo escrito como uma forma de ofensa a você, o problema no modo que escrevo é a ausência do dom da escrita... Feito isso, continuo...

Acredito que pelo teor que escreve, seria retórico responder à você, poucos, saberiam expressar tão bem termos comuns ao mundo de Bruxaria Tradicional como você fez, portanto uma resposta só seria satisfatória dependendo de que linha ou via Tradicional e ou Luciferiana você segue ou descende.

Mesmo achando que é retórica, não posso me furtar de responder no Blogger, pois é um compromisso nosso fazê-lo, e mesmo hoje sem praticar as formas de Bruxaria Tradicional (pois como pode ver sigo Jurema Sagrada), posso apenas falar do ponto de vista daquilo que um dia aprendi (e que não pratico mais).

Quero deixar claro que essa resposta é minha visão particular, apenas minha e nunca, jamais, corresponderá verdade para qualquer outro praticante da Arte Sem Nome.

Assim, segundo aprendi naquela época, a escolha de Caim, conforme me foi ensinado como avatar das Bruxas (e portanto um Ancestral mítico também) deu-se como uma forma moderna de reatualização do mito do cruzamento entre os seres Divinos (ou Deuses/Anjos) e os seres Humanos, fato que era aceito pela mundo antigo como sendo real antes da dominação Cristã.

Ora é de conhecimento de quem estuda  e lê que as Bruxas Antigas e Medievais sempre foram consideradas heréticas pelas religiões Pagãs Estatais e pelo Cristianismo nascente, o fim do Paganismo fez com que a crença “Da Raça de Fogo ou Povo do Raio ou Sangue Bruxo” nascida do cruzamento entre as esferas humanas e celestiais fosse reatualizada, conforme a mentalidade nascente, mas mantivesse sua forma idiossincrática[1] do ponto de vista da fé antiga das Bruxas.

Também é notório que esses cruzamentos era fato constante em todas as mitologias, desde as mais primitivas às mais organizadas da antiguidade, o próprio cristianismo, não ficou imune a isso (mesmo distorcendo seu sentido para ressurreição e não para renovação), vide a concepção e  nascimento de Jesus, que segundo o cristianismo deu origem a um homem diferente e ao mesmo tempo (como Caim) rejeitado pela sua sociedade.

Dentro daquilo que vivi como Bruxaria Caim é o primeiro do sangue Bruxo, o primeiro nascido do cruzamento entre um Anjo Caído e a Fêmea Mortal-Eva, ele carrega e expressa a Luz do Fogo (e revela o que está oculto), que é a expressão, marca e motivo da queda de seu Pai, assim ele Caim, desperta e ilumina seus filhos, pois a queda de seu Pai deu-se nas terras escuras e sombrias da carne humana[2].
Caim é o Filho do Fogo, portanto ele é a Luz nascida do Fogo, a luz para ser compreendida precisa fazer iluminar e para iluminar deve emanar de uma Fonte, e ao emanar ela ilumina, e ao iluminar e revela o Pai que é a fonte da Luz, portanto Caim é a Luz nascida ou criada pela Fonte ou Fogo-Sábio-Primordial (Azazel), Caim é Luz da Chama do Portador, aquela lanterna entre os chifres do Forcado do Diabo-Iniciador, ele ilumina E DESPERTAR consciência “PARA O AQUI E O AGORA”.
Caim, na comunhão, revela seu Pai, Pois Ele é o pão e o vinho, ambos originalmente, grãos, fruto e semente,  que passaram pelos processos (Ordálias) de metamorfoses para se tornar alimento de comunhão e de RENOVAÇÃO, e conseqüentemente, de DESPERTA  da CONSCIÊNCIA, pois ao serem ingeridos leva para dentro do corpo a Luz do Pai e reatualiza o mito da queda do Pai[3] ou queda do Fogo Sábio-Primordial.
Então segundo a mitologia que me foi passada, Caim é tanto o primeiro ancestral de todo bruxo(a), como uma máscara (prefiro o termo Alma Angélica) e Avatar de Azazel.
Explico, Caim é a expressão do Pai e a manifestação da substância da Fonte-Pai,  portanto, seria algo em similitude filosófica como o termo grego homoousios, ou seja, que o Filho é da mesma substância do Pai. Caim é o Filho, e, é também o Pai-Renovado. Caim é a expressão e revelação do Pai no Mundo. Caim, o Filho de Azazel-Samael-Lúcifer, é ao mesmo tempo ele mesmo e seu pai. Ele é seu Pai "vindo novamente" em uma forma nova, e mesmo assim ele é diferente de seu Pai, um é diferente do outro;  Caim-Azazel expressa o velho paradoxo. 


O Pai é invocado e evocado no Filho (pois o Filho é sua Máscara, sua Alma Angélica nascida do Fogo, que expressa a Luz do despertar da consciência, Luz transformadora, que nos leva a tocar com os pés ao Caminho de Fogo de auto-transformação) e através do Pai conhecemos a força e o poder de mudar AQUI E AGORA realidade toda-ao-redor.
Do mesmo modo, dentro da via que seguia anteriormente o Mito Caim e Abel (e do mesmo modo os mitos de metalurgia e construção, bem como, os agrícolas),  não deve ser visto do ponto do enraizamento (inconsciente)  cristão dominante nas mentes quando os nomes bíblicos são citados em textos de Bruxos Tradicionais, e sim, do ponto de vista da CONSCIÊNCIA do AQUI E AGORA,  pois é também um mito reatualizado de despertar, de renovação e de transformação do ego-mortal em Fogo e Luz (Sthj).

Como pode ter percebido a resposta pende mais para o terreno dos exemplos culturais e teológicos da Arte Antiga de que de fatos históricos lineares. 

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Bem, estamos abertos a responder dúvidas, basta para isso usar o recurso de comentário aqui do Blogger ou enviar um e-mail para ellvs@yahoo.com.br, independente do teor da pergunta ou mensagem, não divulgaremos seu nome e nem contato, mas daremos sempre resposta em conformidade. 


[1] Entre os religiosos  espiritualista, idiossincrasia significa o comportamento estranho ou diferente do usual, diferente daquele que geralmente é visto como comum, todavia também como comportamento social diverso que podemos ver nas variedades de cultos. 

[2] Aqui temos os mitos da terra-útero-eva e a o despertar da consciência individual (Abel-Caim).

[3]Aqui vemos porque os ritos agrícolas tomam um sentido amplo e iluminador e não apenas como um ato da natureza de germinar broto novo e saudar a colheita ou saudar a nova estação. Preparar a terra (arar) Cavar o buraco (escuro), lançar a semente (fogo-luz), tonar-se  na  CONSCIÊNCIA um ato de queda e de renascer, de metamorfoses e renovação.

2 comentários:

Ciclos Na Arte disse...

grande Jair, realmente esclarecedor,será que podemos ainda esperar um livro seu?
me diz como pode se reconhecer como um filho das raças celeste e de da terra?Além de vontade de pertencer praticar a bruxaria,alguns dons, contatos com seres(este pode ser conseguido),?

Juremeiro Jair de Santana disse...

Olá...
Livro? não, realmente não é parte de qualquer plano nosso.

Quanto a pertencer a raça das estrelas, é preciso primeiro ter a noção que a Bruxaria é uma herança da humanidade, um legado deixado pelos Caídos aos seus descendentes,e não uma religião, e, muito menos o que se faz hoje no Brasil como sendo Paganismo, não chega nem perto do que foi a heresia pagã (em contraste com o paganismo clássico)que deu origem posteriormente a Breuxaria Tradicional.Assim, que se bate nessas portas com perseverança, vencendo cada ordália, você perceberá quem se é de fato, qual a sua origem, porque está aqui, qual a sua herança e qual o seu Destino,e se abrirá aos poderes. O segredo "velado" é Ame seu próprio sangue, sua origem, sua raça e sua alma, tenha desejo e luxuria pelo sengue que ferve e ilumina suas veias e sorva cada gota de amor e assim começara a despertar para as
chamas entre os chifres do Portador e para o verdadeiro Deus.