domingo, 24 de fevereiro de 2013

O CALEIDOSCÓPIO, O CAMINHO E A LANCHONETE

Um dialogo sobre a espiritualidade Fest-Food atual

Desde os primórdios de nossa civilização, nós, seres humanos, deparamo-nos com este sentimento de isolamento e solidão. Por que, perguntava o filósofo na Grécia antiga, somos diferentes dos outros organismos que habitam nosso planeta? E de onde viemos? E para onde vamos? Perguntas deste tipo têm permanecido sem respostas durante séculos. Por muitos anos a religião tem sido a principal forma de conforto e única a oferecer um sentido para nossa existência, assim como para as nossas diferenças em relação aos outros seres vivos (Marcia L Triunfol)..

Meu irmão Cadmo Nerev Lvnae, sempre diz que eu costumo lançar moda.

Eu lhe respondo: “Não lanço modas ou modelos, e sim busco encontrar minhas origens e saber quem eu sou, pois no caminho espiritual a verdade maior é saber quem se é e qual a sua origem... não posso fazer meia culpa só porque alguns decidem que podem juntar água e óleo e nisso ver vinho tinto...”

I. O Caleidoscópio

Então, será que se olharmos com cuidado a totalidade, como em um caleidoscópio formada por diversas peças refletidas, não chegaremos a uma forma mais do que perfeita, apenas: HUMANA? (Leandra Migotto Certeza).


Prossigo o papo dizendo : Você sabe que sempre fui inquieto e inquiridor quando o assunto refere-se à minha jornada e busca espiritual.  Nunca acredito em formulas prontas de verdades absolutas, acredito que o mundo espiritual apesar de caleidoscópico quanto a sua expressão visível, tem por fim e inicio uma mesma fonte, e nisto consiste uns dos primeiros lampejos para se compreender “Destino”!.

E quando (meu caro) a fonte verdadeira pulsa, encontra correlações e analogias em cada pedaço particular de verdades de cada povo que já existiu ou existe, traduzindo-se neles por meio de sua cultura, mitos, religiões, crenças populares e práticas espirituais, dentre outras coisas.

Também é crença pessoal minha, que cada espiritualidade respeita a outra e trabalha cada qual dentro de sua gama de cor ou faixa vibratória, sem, contudo uma querer se sobrepor a outra, pois o respeito de uma para com a outra é essencial e  necessária a humanidade.

Para deixar mais clara essa diferença-respeito, digo que se misturarmos: “verde escuro com verde claro” teremos uma nova cor verde. É a cor verde, mas é outra cor no espectro das cores verdes possíveis, do mesmo modo lembro a porcentagem de diferenças de nucleotídeos entre o DNA humano e do chimpanzé é 2,5% e essa irrisória porcentagem foi capaz de dar origem a duas novas espécies bem distintas de primatas.

Assim é possível se trabalhar separadamente com o “verde escuro e com o verde claro”, sem precisar misturar uma a outra. Porém, quando as milhares de cores refletidas, são misturada indiscriminadamente e distorcida pelo egocentrismo da vontade humana, uma vai querer se sobressair as demais por meio das armas, da força, da perseguição, do preconceito e do fanatismo.

Este impor-se, afirma peremptoriamente que apenas a gama de cor distorcida ou sua interpretação da verdade e do sagrado é a única capaz de salvar a humanidade. Uma consulta simples no Google prova que muitos foram mortos ou morreram por reconhecerem uma cor diferente da gama que se impôs sobre as demais dentro do caleidoscópio da espiritualidade, e esses mártires são exemplos de “ego”, pois suas mortes não foram para defender a co-existência das cores diversas, mas foram para impor ou para defender apenas sua gama de cor. Para cada lado (perseguido e perseguidor), apenas a sua cor era correta, as demais eram e são frutos de seus adversários espirituais do mal.

Fica claro que nessa visão caleidoscópica que compões as diversas verdades espirituais, em momento algum estou a dizer que devemos misturar tudo, a bem de saber, cada faixa de cor é parte de uma parte que reflete as milhares de partes-cores possíveis da verdade única, portanto, cada uma tem o porque de existir e podem coexistir em paz.

Por exemplo, o monoteísmo e seus co-irmãos, só conseguem conceber o sagrado com um único aspecto (às vezes são três, mas que formam apenas um só) ou no máximo como duas formas antagônicas que lutam pela salvação ou perdição da alma humana, enquanto o politeísmo e seus análogos anteriores e posteriores, enxergam os muitos deuses e seres divinos como aspectos ou manifestações de um só sagrado.

Deste modo um buscador atento, perceberá além do reducionismo das duas visões expostas e pode verificar que ambas apontam para a existência (ou não existência, pois toda existência é finita) de uma única fonte de sagrado, e saberá no plano das idéias não sobrepujar uma a outra, isso não quer dizer que no nível da busca sincera eu esteja advogando a agregação pura e simplesmente de segredos de uma religião-tradição a outra, mas sim que é possível seguir duas formas de conexão e trabalho com religiões diferentes, mas, há que se ter nelas um mínimo de gama de cor parecida, não misturada, e quem o tentar fazer, deverá ter uma mente capaz de saber ir de uma prática a outra, sem misturar ambas, sem agregar nada de uma a outra. Exercitando cada uma das práticas de forma que cada Ente de cada crença reconheça aquilo que lhe é peculiar. Saber respeitar esse liame é fundamental para se evitar aberrações e distorções.

II. O Caminho

Covarde é aquele que não abre novos caminhos na vida, Nem emprega as suas forças para enfrentar os obstáculos. (texto Jurídico)



Sempre fiz questão de deixar claro, por experiência pessoal,  que quando termina a euforia do primeiro ano (ou como diria um amigo meu de profissãoQuando acabar o primeiro amor”) dos que se filiam ou fazem  parte de um dos muitos e recentes caminhos espirituais (que são distorções posteriores grotescas dos movimentos) surgidos a partir da publicação de  “Witchcraft Today” de Gardner,  acabam esfriando em sua fé,  e apenas realizando atos cujo sentido se perdeu ao longo dessa pequena caminhada  de transição pelo oeste.

Celebram por celebrar, para manter o “status”, mas no fundo sentem que suas práticas já não correspondem ao desejo ou vontade e não mudam suas vidas. Isso ocorre quando vislumbram, mesmo que não expressem, que cada ano, mês e dia passado nestes caminhos não os livraram das raízes fincadas nas crenças morais da sociedade que se inseria, não se livraram da rede de segurança e por isso nunca, de fato, desejaram mudar a natureza toda ao redor e dentro de si mesmo, estavam apenas fugindo e covardemente evitaram e boicotaram toda e qualquer tentativa de “SABER QUEM SE É E QUAL A SUA ORIGEM”.

Os problemas antes jogados para baixo do tapete emocional vêm à tona, os mesmos entraves ressurgem, e vai chegar hora em que terão de decidir e aqui é a encruzilhada Triforme. Aqui é o encontro com o homem desnudo nas escadas do inferno: (1) larga de vez a busca espiritual e se voltam descaradamente ao convívio da moral que anteriormente renegavam (apena com a boca), porém praticavam inconscientemente em suas ações (a esses meus sinceros parabéns, pois agora conseguem ser plenos em si mesmos)...  ou (2)  estagnam e acabam por fazer misturebas (não há como ficar imune e mesmo a  estagnação é movimento)... ou ainda, (3) Se convertem a uma nova religião, abandonando as distorcida religiões de fundo new age oriundas das terras do “Tio Sam” empobrecida pelo complexo de vira-lata nacional e, aqui começa o martírio do reinicio.

Portanto qualquer que seja o caminho ele sem duvida incidirá e influirá em viés novo para a área espiritual, convívio familiar, surgimento de novos amores, avanço ou regressão na área emocional, educacional, profissional e financeira, aqui há a faca de dois gumes da iniciação apontada para o seu pescoço.

Os que se voltam a uma nova (velha) religião, chega-se a dois tipos: (1) Os que não temem abandonar nada e nem ninguém para busca a sabedoria; e (2) os que querem seguir o novo sem largar nada e nem ninguém do passado (e nem seus status) que tinham e afirmam que podem seguir a nova espiritualidade mantendo suas antigas crenças sem conflitos; acham que verde escuro com verde claro dá apenas verde e que verde é verde é pronto, e não uma nova cor um novo tom de verde, desconhecendo as milhares de gamas da paleta de cores que a espiritualidade emite a partir do caleidoscópio que a forma. 

Começam com a desculpa de cultuar os poderes da terra em que estão, não da forma que deveriam ser cultuados e reconhecidos, mas agregando indiscriminadamente sem nenhum respeito (e pagando o alto preço), práticas públicas (e as vezes privadas com conivência de alguns que vêem a chance de aumentar sua clientela) por exemplo de Candomblé, Umbanda e Jurema. Descaracterizam essas religiões ancestrais e fazem misturas torpes, como adorar Yemanja, cultuar Exú como guardião ou chamar um Mestre do Além, tudo dentro de um circulo "mágico" das espiritualidades distorcidas que o usam. 

O fazem, acreditando (pseudo) piamente estarem em contato com o aspecto da Grande Mãe e do Grande Pai, em claro desrespeito a praxe e a práxis dos cultos ancestrais desta terra e do caminho que eles representam no caleidoscópio da espiritualidade, alem de desta forma estarem “(re) adaptando (ao bel prazer do ego) o culto com pelo menos 300 anos nasterras brasilis às suas conveniências, destruindo, como fizeram os missionários da fé dominante, a toda uma cultura antiga.

III. A Lanchonete
Todo cliente espera satisfazer desejos de ordem física e emocional. Os cardápios devem vir ao encontro dessas necessidades. (Ronaldo Barreto).

Com base no dito, o que estamos assistindo hoje em dia é o surgimento de uma nova religiosidade Fast-Food onde se pode escolher partes do corpo doutrinal de uma religião, mesclar e juntar a partes de uma segunda ou mais religião, e depois ir tirando e adicionando coisas que acha certo ou errado, baseado em sua própria crença na Deusa Mãe e no Deus Pai,  o fazem ao seu bel conforto e assim saciam momentânea e rapidamente sua fome (estagnação) lhes dando novo “status”.  

Acreditam que basta fazer uma mera mistura de cores, que terão a  sua disposição todos os segredos e forças contidas no caleidoscópio e não percebem ou não querem perceber que no fim não estão seguindo nada alem de seus egos mal trabalhados e além de estarem desrespeitando uma serie de culturas que em si – mesmas são completas, são cores próprias dentro do caleidoscópio.

Quando se entra numa religião, deve-se renascer dentro dela, deixando para trás o antigo, nasce-se ali o novo adepto, limpo, puro, pronto para receber o alimento da fé que o fará crescer e se tornar fortes. Mas, esses tais, cujo mundo virtual vem revelando a existência, não querem se adaptar a religião, buscando a sabedoria que ela possui, ou galgando o conhecimento que ela dispõe, querem apenas o status. Isso já foi profetizado, diriam vocês meus caroZagreus e Cadmo (já nos idos de 2004 e 2005), pois me lembraram que uma das coisas que sempre ensinei foi sempre uma "rendição incondicional ao caminho e que o caminho não vai se moldar a você e sim que você deve se adapte a ele".

No momento atual, as pessoas não querem se submeter ao caminho, querem a forma de fé rápida, colorida e que não lhes tire os títulos, postos e status, por isso o que vê no meio virtual (e alguns até mantiveram contatos comigo sem sucesso) é a busca de um espiritualidade lanchonete, onde se pede o “x-tudo” com todos os ingredientes e ele vem pronto, não precisa preparar nada, e o que não falta é site de má informação e livros de má qualidade que nem de longe arranha qualquer veracidade de cor de parte da verdade caleidoscópica.

O pior não é quem come no novo fast food espiritual, pois mais cedo ou mais tarde vai vomitar, o pior é quem vende, pois vai juntando os ingredientes (propositalmente) sem nenhum conhecimento, dizendo ao espectador como vai ser essa comida rápida e que sabor ela deve ter e isso é feito com tanta (pseudo) certeza que acaba dando, sem perceber, à sua criação (que diz ser revelada ou inspirada) uma cor totalmente nova. Não estou a dizer que não podem criar novas religiões, podem se o bem desejarem, mas devem colocar um novo nome e ter uma nova forma e não dizer que é “verde escuro e verde claro” sendo cultuado juntos e sim que é um novo verde, oriundo da mistura do “verde escuro e verde claro, precisam ser corajosos e não devem ter medo de seguir sua nova cor surgida da mistura do “verde escuro e verde claro”e de alimentar quem lhes dá atenção ou sente fome de algo novo, o que não é certo é continuar a dizer que se trata de uma nova forma de enxergar e conectar as cores originais (verde claro e verde escuro) e sim que é uma nova cor verde surgida da mistura de vários outros tons de verde.

Mas lhes falta coragem para assumir o novo, o seu ego não quer evoluir, não quer mudar, não querem na verdade, nem nunca quiseram, sair da sua zona de conforto, a prática de seguir um novo e continuar no velho, misturando ambos (e não segui-los separadamente) , nada mais é do que uma estagnação fantasiada de revolução espiritual. 

IV. A Forja

De vez em quando o diabo me aparece e temos longas conversas.... Percebi que era ele quando notei que trazia na sua mão direita o martelo e, na esquerda, a bigorna. Pois esta é a sua missão: martelar as certezas, ferro contra ferro, para ver se sobrevivem ao teste. (Rubem Alves)


Não vêem que cada cor do caleidoscópio é a parte continua  do sangue dos filhos dos caídos, dos que possuem em si a semente da raça das estrelas, aqueles com a capacidade de auto-iluminação. No geral, estes que buscam o novo, misturando com o velho, sob a premissa da de serem livres, nada mais fazem do que não conseguir lidar com a tensão da barreira que encontram (as Ordálias), neste sentido vemos aquela alegoria do martelo e da bigorna ou do caminho do fogo e da fornalha....

Um metal para se transformar numa espada vai ter que passar por todo um processo individual. Se o metal for forte, sua estrutura passará por mudanças e se tornará espada da fé. Se for um metal inferior, sem qualidade, ele não resiste ao choque de temperatura, aos golpes do martelo, a liga certa não é alcançada e ele se rompe.

Em resumo: tudo isso nada mais é que um novo movimento denominado“Pink-dark-pagão-afro-indigena-new-age”, exemplificado no texto como distorção de gama de cores do caleidoscópio ou como uma fome desenfreada saciada no fast food da fé, ou seja, a fuga da forja...

Sim é a fuga, disfarçada e demonstrada na mistura de cores, desta forja que eles chamam de liberdade, porém ela nada mais é do que um nome bonito para a escravidão aos velhos padrões... Como já disse em outro texto: “TEMEM ABRIR A PORTA QUE LEVA A OUTROS PECADOS...

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O texto é fruto de um dialogo virtual pelo bate-papo do Facebook, ocorrido entre os dias 22, 23 e 24 de Fevereiro de 2013, por isso não lhes cabem tomar a carapuça, mas se o desejarem fazer, antes de me execrarem pelo texto, dividam a execração em três, pois esse texto foi produzido em grande parte com a colaboração de Cadmo Nerev Lvnae e Zagreus Lukios Lvnae.


4 comentários:

Gaivs Marcellivs disse...

Totalmente verdade. E a verdade as vezes dói, dói muito

Jayhr Gael Lvnae disse...

Olá Gaivs....
Não a firmo que seja verdade, no sentido absoluto, mas apenas que uma forma de ver o fato partir do ponto de vista de nosso próprio espectro de cor...
Obrigado por comentar...

☽❍☾ Κάδμος Νηρεύς Azazel Lvnae ☽❍☾ disse...

Engraçado como a simples menção ou produção da idéia de que não é possivel se "aquecer" verdadeiramente num ambito religioso com uma colcha de retalhos que a pessoa insiste chamar de edredom consegue ferir alguns egos que comumente preferem realizar tal prática, simplesmente por não conseguirem levar adiante um caminho religioso adiante.

Jayhr Gael Lvnae disse...

"Dura lex, sed lex" ou "a lei [é] dura, porém [é] a lei".
A expressão se refere à necessidade de se respeitar a lei em todos os casos, até mesmo naqueles em que ela é mais rígida e rigorosa. E se aplica ao sentido do texto.